Guia Para o Tal`Mahe`Ra – Parte I: Origem


TAL’MAHE’RA, A VERDADEIRA MÃO NEGRA – PARTE I: ORIGEM

Rage Across Brasil em parceria com Caio Capella, trazem uma pequena apresentação à Tal’Mahe’Ra, a verdadeira mão negra (Manus nigrum), um grupo que detém um papel único e intrincado, no jogo Vampiro a Máscara e também no Mundo das Trevas como um todo. Inicialmente a Tal’Mahe’Ra aparece em 1994, com o suplemento Dirty Secrets of The Black Hand, um suplemento polêmico e controverso.

Para esse artigo, foram usados fragmentos do livro The Black Hand: A guide to the Tal’Mahe’Ra da edição de 20 anos de Vampiro a Máscara, um livro que atualiza e expande os conhecimentos sobre a seita, esse suplemento apresenta bastante conteúdo, sobretudo a respeito das seitas internas que compõe a Tal’Mahe’Ra, note que na edição revisada a Tal’Mahe’Ra não mais existe, destruída em um ataque nuclear. Neste material, nos referimos à seita como Tal’Mahe’Ra ou a Mão Negra, que não deve ser confundida com a Mão Negra que existe no Sabá, que doravante mencionaremos como a falsa Mão Negra.


De início este suplemento apresenta a Tal’Mahe’Ra envolta em um ar de conspiração, na medida em que a seita estende sua influência para as fileiras do Sabá e da Camarilla, fomentando o embate entre as duas seitas, com o objetivo de manter os cainitas ocupados demais para preocuparem-se de fato com os Antediluvianos e a Gehenna que aproxima-se. A seita é composta por alguns dos vampiros mais antigos e poderosos do mundo das trevas, além de abominações, magos, fantasmas e múmias.

A Tal’Mahe’Ra, diferente da Camarilla e do Sabá, não foi criada por um único indivíduo ou facção, sendo fruto de diversos grupos que permanecem juntos a partir de interesses e objetivos em comum. A Gehenna é real e palpável para os vampiros da Mão Negra, que acreditam que os antediluvianos consumirão a todos os vampiros e depois perecer, de forma que o sangue de Caim desparecerá da terra e enfim os filhos de Set serão livres. Diversas histórias circundam a origem da Mão Negra, mas de fato ela teve sua origem há 3.000 anos, durante uma época de guerra e mágica, a partir de um culto de magos: Idran – necromantes Himalaios, um grupo dissidente dos Chakravanti, predecessores dos Euthanatos, que hoje incluem os magos Itarajana, os vampiros Nagaraja e outros que estudam o caminho dos ossos na seita.

Este grupo de magos (Idran), encontraram a iluminação através de um egípcio Imortal (Inauhaten – uma poderosa múmia), que impressionado com o conhecimento necromântico detido pelo grupo os guiou para o Underworld/shadowlads/deadlands – o plano espiritual dos mortos, na borda do nada, composta principalmente por ecos espectrais do mundo material. Neste local ele prometeu aos Idran a iluminação imortal e extremo poder, contudo antes de lhes conceder esse conhecimento o culto teve de realizar uma longa e perigosa jornada para uma cidadela (Enoch) nas shadowlands, nesta cidadela Inauhaten deu ao culto as “Rubricas Guardadas” – o extrato da práxis necromântica fruto de um milênio de estudo –, nestes documentos alguns dos tópicos referiam-se aos mesmos tópicos dos livros de Nod, entretanto, eles possuíam de modo geral, uma visão escatológica que eclipsava a importância de Caim. Estas rubricas não continham o começo da existência, contudo apresentavam precisa e detalhadamente o fim dela, e um dos signos é a vinda dos cainitas para Enoch. Enfim essas rubricas são mais do que um dever, são uma busca obsessiva, de modo que aqueles que controlam Enoch, também controlam o rumo do apocalipse…


Como afirmei acima, a Tal’Mahe’Ra não é um grupo único, mas a união de vários grupos, a primeira grande divisão que pode ser observada dentro da seita é a divisão entre a Mão oriental (800 BCEbefore common era, isto é, antes do ano 1 do calendário gregoriano) e a Mão Ocidental (650 BCE). Inicialmente os Idran entraram em contato com os filhos de Saulot e Haqim, contudo os clãs consideravam-se guardiões da linhagem cainita, respondendo fracamente à ideia de que eles poderiam causar a Gehenna, essa negativa levou os Idran a entrarem em contato com os clãs que fariam parte da Mão Ocidental: Old Clan Tzimisce, os True Brujah e uma linhagem desprovida de direitos dos Ventrue – Danava. A Tal’Mahe’Ra entrou em contato com os clãs a partir dos Nagaraja, uma linhagem jovem e poderosa, criada pelos Idran, através de sangue cainita roubado e limpo por meio da feitiçaria, contudo os Nagaraja não apresentaram sua real identidade, disfarçando-se enquanto uma linhagem hindu, de modo que os Nagaraja que entravam em contato com os demais cainitas eram os neófitos que lentamente eram doutrinados nos mistérios da necromancia e do Underworld quando alcançavam o status de Ancillae. A mão ocidental, possui uma proximidade com Inauhaten e o local original de Enoch, essa parte da seita integrou-se à Tal’Mahe’Ra a partir de suas primeiras maquinações contra os filhos de Caim, ela é formada principalmente por três dedos: os True Brujah, os ventrue filhos de Cretheus (Danava) e pelo Old Clan Tzimisce. É importante notar que nesta versão de 20th, a Tal’Mahe’Ra tornou-se uma seita mais aberta, incluindo uma série de Clãs e linhagens a mais do que na 2ª edição, incluindo os Molochitas (um grupo pseudoinfernalista da linhagem Baali, representados pela ordem de Moloch).

É interessante notar que a Tal’Mahe’Ra possui como uma de suas agendas a eliminação de infernalistas, possuindo diversos kamuts (unidade militar) destacados para a caça e a destruição de infernalistas. Um destes kamuts, ou melhor dizendo aliados, é a Ordem da estrela da manhã, que não é exatamente um ramo da Tal’Mahe’Ra e nem uma ferramenta, mas um grupo de aliados, que estão há séculos em conjunto com a seita buscando a destruição dos infernalistas.

A ordem da estrela da manhã foi fundada no século 13, a partir de cainitas que seguem a trilha de sabedoria Via Adversarius, eles eram uma ordem de caçadores militantes dedicados a destruir os infernalista dentro de sua própria irmandade filosófica. Muitos deles hoje anciões autarcas de considerável poder pessoal, incluindo o fundador, Gabriel de Cambrai. Cambrai é um Toreador cujo o foco artístico é fazer com que infernalistas produzam gritos genuinamente agradáveis. Outros são, ao menos nominalmente, ligados aos domínios da anciã Camarilla da velha Europa ou aos mais estabelecidos territórios do Sabá na América central e na América do Sul, onde eles possuem algum contato com os seguidores de caminhos semelhantes.


No livro há uma tabela que ajuda o narrador situar suas campanhas na Tal’Mahe’Ra permitindo ou negando a utilização de determinadas linhagens e clãs a partir da abertura que a seita realizou com o passar das eras (pág. 49 Bloodlines of the Hand).

Em 500 (BCE) a mão ocidental e a mão oriental finalmente unificaram-se, com a presença de representantes do Old Clan Tzimisce, descontentes com a forma com que o ancião utilizou-se da vicissitude para manipular o clã; os Ventrue descontentes com os rumos que os filhos de Caim haviam tomado; os True Brujah descontentes com a destruição de seu ancião por Troile e três Yamasattva (literalmente significa morte e pureza, magos imortais ligados aos seus corpos que são animados magicamente, fazem parte dos Idran), a partir desta reunião a mão negra nasceu, com os Idran governando a seita.

Por volta de 450 (BCE), a guerra dos traidores marcou uma separação entre as duas mãos, pois os membros da mão ocidental exigiam o direito de visitar Enoch, enquanto os membros da mão oriental primavam por deixar apenas alguns poucos escolhidos visitarem a cidade. Com o passar do tempo a tensão foi crescendo até que alguns Idran, presos por laço de sangue com membros da mão ocidental abrem o caminho para Enoch o que gera uma guerra entre as mãos dentro de Enoch. A partir dos desdobramentos desta guerra, as mãos agem de forma separada por cerca de 1.500 anos, de forma que o conselho moderno da Tal’Mahe’Ra (Wuzara, a união dos serafins, os generais da seita; Yamasattva magos Idran imortais; e por fim Del’Roh o supremo governante da seita) lamentam a oportunidade perdida de engendrar a Gehenna, devido a falta de acesso da mão ocidental à Enoch e a preocupação da mão oriental em enfraquecer a sociedade vampírica ao invés de fortalecer os humanos.

Em 200 (BCE) as coisas começaram a mudar na seita, onde os Nagaraja começaram a ter uma proeminência sobre os Idran, na medida em que eles cresciam em poder com o passar dos séculos, enquanto os Yamasattva mantiveram-se estagnados, até que um Nagaraja decidiu sentar-se no trono de Caim para governar, o que fez com que o número de blood familiars (magos carniçais ligados a vampiros por laços de sangue) aumenta-se.

A destruição de Saulot e a queda do clã Salubri marca também uma mudança na Tal’Mahe’Ra. Por algum tempo o clã Salubri percorreu um caminho (golconda) que buscava a convivência pacífica entre humanos e vampiros, contudo com a destruição de Saulot a mão focalizou sua perspectiva na destruição dos filhos de Caim, advogando a impossibilidade da convivência entre mortais e vampiros.


A revolta (1400 CEcommon era): durante a revolta anarquista Roderigo al-Dakhil, retornou à Enoch com a notícia de que uma cabala havia destruído e diablerizado o antediluviano Lasombra, e muitos dos que formavam esta cabala eram associados à mão negra, estimulados pela ideologia da mão negra. Ao passo que Roderigo afirmou que estes indivíduos deveriam ser moldados e manipulados pela Tal’Mahe’Ra, assim os Yamasattva afirmaram que uma espada deveria ser forjada a partir destes indivíduos e firmemente segurada pela mão negra e utilizada contra seus inimigos que seriam enfraquecidos pela guerra, desta forma a mão negra utilizou-se do nascente Sabá enquanto sua ferramenta para seus propósitos, isto é, fomentar a jyhad entre os filhos e filhas de Caim.

A outra mão negra: a partir do nascente Sabá Roderigo al-Dakhil, retorna até Enoch, tendo realizado o plano dos Yamasattva criando dentro do Sabá um séquito chamado Mão Negra (a falsa mão negra) a partir do qual a Tal’Mahe’Ra poderia perseguir seus objetivos abertamente, conduzindo campanhas revanchistas contra a Camarilla e perseguindo os fragmentos de Nod abertamente, apenas jurando, da boca para fora, lealdade aos ideais do Sabá. Dessa forma vários membros da Tal’Mahe’Ra rapidamente foram introduzidos ao séquito paramilitar enquanto verdadeiros Sabá. Dessa forma a Tal’Mahe’Ra utilizou-se da falsa Mão Negra e do Sabá enquanto espantalho para seus inimigos, contudo, algumas das simbologias da Tal’Mahe’Ra, como a tatuagem da lua crescente (apesar de não ser mágica como a da verdadeira mão) foram incorporadas na falsa mão, além disso a partir de décadas de investigação, Roderigo descobriu que uma parte do centro de comando da falsa mão era composta por Assamitas heréticos, a Lost Tribe, um séquito de adoradores de Zillah que desejam a destruição dos antediluvianos, alinhando-se com os ideais do Sabá. Apesar do amplo conhecimento que a Lost Tribe adquiriu sobre os rituais da verdadeira mão isso tornou-se irrelevante na medida em que as ações atribuídas a mão negra recaiam sempre sobre o sabá devido a falsa mão negra, servindo de escudo perfeito para a Tal’Mahe’Ra.


Em 1600 aconteceu a queda de Enoch, onde um enorme furacão precipitou-se sobre o Underworld, com enormes nuvens de tempestade nos céus do Underworld, a partir desta tempestade o comandante de guerra do império dos mortos colocou suas tropas sobre Enoch. Diversos wraiths atacaram Enoch causando o caos na cidade, diversos prédios foram demolidos em Enoch e a mão ocidental por pouco conseguiu escapar deste ataque. A reconquista de Enoch durou três anos (1723-1726) e foi imensamente dura para a seita como um todo, o ocidente e o oriente encontraram-se novamente como aliados, deixando suas divisões para trás, a partir desta aliança a seita elegeu Anadja (cuja a origem é desconhecida – e este é um tópico é assunto para outro artigo) enquanto Del’Roh, líder da seita.

A campanha para a retomada de Enoch começou com campanhas de reconhecimento no primeiro ano, no segundo ano foram implementados elementos de subversão de determinados elementos da sociedade fantasma, a retomada de fato de Enoch durou apenas duas noites, então a Del’Roh anunciou a lei marcial durante alguns meses enquanto alguns remanescentes de hordas hostis foram caçados e destruídos, apenas após a destruição destes fantasmas remanescentes Anadja aproximou-se do trono de basalto de Caim e sentou-se, o único vampiro que conseguiu fazer isso e continuar com sua sanidade durante sua não vida. 


Espero que tenham gostado e tenham começado a refletir um pouco sobre a Tal’Mahe’Ra e como ela pode ser incluída em suas campanhas, seja como antagonista ou como a seita da qual os personagens fazem parte.

Mas lembrem-se:  a Tal’Mahe’Ra possui um modo de seleção extremamente demorado e que visa selecionar os mais aptos e capazes para suas tramas. Um jogo com a verdadeira mão negra pode oferecer diversos plots interessantes para os jogadores, seja a exploração da Enoch espiritual, a infiltração dos jogadores na Camarilla, Sabá ou mesmo dentro da falsa mão negra a fim de fomentar a Jyhad entre as seitas ou mesmo um jogo investigativo em busca de fragmentos de Nod ou o livro das revelações da mãe sombria… além é claro das infinitas tramas possíveis dentro das seitas que coexistem dentro da Tal’Mahe’ra, dos Lilins (seguidores de Lilith), a Ordem da Estrela da Manhã e seus membros na América do sul, até os seguidores de Malakai (a irmã gêmea de Malkav) com certeza dentro da Tal’Mahe’Ra existirá uma seita para seu jogo, ou como o próprio livro diz: crie sua seita. Espero ter ajudado a todos a compreenderem as origens da seita e na próxima parte teremos a Tal’Mahe’Ra nos dias de hoje.

3 Comentários

  1. Parabéns, está um trabalho magnífico.

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  2. Muito maneiro. Poucas pessoas sabem o quanto os Ventrue são místicos, e como eles podem fazer parte desse tipo de coisa, e não apenas os estranhos Ventrue indianos, mas o core dos antigos. Dizem que esses Ventrue sabem do verdadeiro Veddhartha, ou do nome real do antediluviano.

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