Vampire Bloodlines 2 Chegando ?????


Ontem pela manhã o pessoal da White Wolf fez questão de deixar uma pulga enorme atrás da nossa orelha. Eles compartilharam uma entrevista repleta de mistério e especulação com o pessoal da PCGamesN sobre o futuro dos jogos eletrônicos da franquia, e é claro que a aguardada continuação do titulo de maior sucesso da empresa do lobo branco entrou na pauta.

Nossa Disciplina "Auspícios" detectou algo na aura dessa postagem. Afinal, quando se trata de WoD eles não dão ponto sem nó, não mais. A Paradox, atual detentora dos direitos da linha do Mundo das Trevas, é uma empresa essencialmente de jogos; tanto de mesa, quanto de vídeo games, e eles sabem que existem poucos títulos de PC que alcançaram o status de Vampire: The Masquerade - Bloodlines. Este RPG sobre um sanguessuga neófito na cidade de Los Angeles foi tão independente e ambicioso que acabou com sua desenvolvedora, a Troika Games. Mas a sua reputação rendeu-lhe uma longa "não-vida", tanto por sua a escrita digna de grandes jogos do gênero, com várias possibilidades de escolha do jogador dentro da história, como pela ajuda massiva da enorme comunidade que nunca parou de criar "mods" para o jogo, além de "patchs" para a correção de bugs, tornando Bloodlines mais jogável hoje do que nunca antes.

Quando a Paradox comprou o universo do Mundo das Trevas de Vampiro em 2015, toda a comunidade logo ligou os pontos, porque a oportunidade parecia óbvia. A compra liberou a licença para novos desenvolvedores e fez com que o estúdio buscasse a parceria da Obsidian em seu novo interesse em RPGs. E ainda sim, por incrível que pareça, até hoje não temos um Bloodlines 2.

O que é estranho, porque o game original está entre os melhores RPGs para PC até hoje. Eu mesmo tenho ele instalado aqui e jogo constantemente com a atualização dos patchs.

Se você perguntar a qualquer gamer, que tipo de jogos a Paradox faz e publica, você terá três respostas: Estratégia, Gerenciamento e RPG´s. E na PDXCON deste ano, as duas primeiras partes desse triunvirato foram bem representadas pelos titulos: Imperator: Rome, Age of Wonders: Planetfall e uma nova expansão para Cities: Skylines. Mas algo esta faltando não? Evidentemente que sim; o RPG.


Perguntado sobre a lacuna no gênero, Fred Wester, CEO da Paradox respondeu: “Temos andado por aí explorando a linha de RPGs com Pillars of Eternity e algumas outras coisas.  Obviamente, o catálogo da White Wolf abre muitas portas novas para nós. Estamos experimentando algumas marcas da White Wolf no momento, (e aqui ele provavelmente se refere aos games para celular de Vampire e Mago, além do multiplataforma para Lobisomem) mas também sabemos que não podemos criar um Skyrim da noite para o dia. Nós somos donos da White Wolf há dois anos e meio e as pessoas sempre me perguntam; Onde está meu Bloodlines 2?” - Ri Wester - “E é lógico que essa seria uma escolha óbvia, mas precisamos nos sentir bem com ela. Precisamos ter o time certo e visionário para o jogo. E uma vez que isso esteja estabelecido, nada nos afasta da possibilidade de uma continuação, ou talvez um outro novo título diferente de Bloodlines 2, mas algo ainda haver com RPG e Vampiro a Máscara.”

E é nesse ponto que vocês se recordam do meu comentário sobre a Paradox não dar ponto sem nó. Fica claro ao ler as declarações de Wester, que a empresa não faz nada sem um plano a longo prazo. Colocar o primeiro pé no Mundo das Trevas está demorando, porque a empresa quer saber exatamente onde vai plantar o próximo, e o outro depois disso, para que eles possam saber precisamente aonde vão estar daqui a vários anos no futuro, de preferência com uma série bem estabelecida de RPGs de Vampiro a Máscara em suas mãos.


Quando a editora cancelou seu único RPG desenvolvido internamente até hoje, o Runemaster, ela reconheceu que a grande mudança de estratégia para um novo gênero tinha sido muito difícil. E por conta disso, passaram a se aproximar de desenvolvedores externos que eles acham que seriam uma boa opção para o seu universo.

"Estamos procurando diferentes estúdios para nos ajudar no segmento de RPG, não estamos contratando pessoas", diz Wester. 

Encontrar o estúdio certo para uma sequencia de Bloodlines não tem sido uma tarefa fácil - e qualquer que seja o estúdio a receber a oferta, e aceitar o desafio, logo perceberá também o quanto isso é intimidador.

"Bloodlines tem muitos fãs ainda, mesmo após 14 anos de seu lançamento", diz Wester. “Foi um grande jogo de muitas maneiras. Ele obviamente teve seus defeitos na época em que foi apresentado ao publico, mas ainda carrega um peso na indústria. Por isso tem que ser feito com as pessoas certas.


Mas essa amiguinhos é apenas uma parte da história. Se por um lado existe esse discurso comedido de Wester, por outro há um peculiaridade contratual na compra do World of Darkness pela Paradox, que concede à White Wolf um grau incomum de autonomia e que pode ter implicações importantes no tocante a retomada de uma possível sequência de Bloodlines.

"Criamos uma empresa-irmã separada da Paradox", diz Tobias Sjögren, CEO da White Wolf, "Porque queremos fazer os jogos certos para o nosso público, e não apenas ficar limitados aos jogos que um determinado estúdio poderia publicar. Nossa independência da Paradox significa que temos carta branca para negociamos com qualquer empresa que sentirmos que seja a certa.”

Esse arranjo contratual não é apenas hipotético. No início do ano passado, o Focus Home anunciou uma adaptação de Werewolf: The Apocalypse para diversas plataformas (e sobre o qual demos todas as informações AQUI).  Ele é um grande exemplo dessa politica, pois a Paradox Interactive não tem nenhum envolvimento no desenvolvimento desse jogo. A White Wolf parece ter aprendido uma lição importante durante o tempo em que produziu o malfadado World of Darkness MMO. Que é melhor não tentar representar todo o universo do Mundo das Trevas em um jogo enorme, mas canalizar seus títulos separadamente em projetos bem acertados.

Por isso em todos esses anos desde que se juntou a Paradox, a White Wolf tem feito turnês em convenções como DICE Summit e E3, tentando acertar suas propriedades com potenciais desenvolvedores para tais projetos.

"Nós gostamos de jogos que são movidos por boas histórias, jogos que têm um mercado mais adulto, porque o World of Darkness é para esse tipo de público", disse Martin Ericsson, editor chefe da White Wolf. “Não é Crepúsculo - é para os formandos de Crepúsculo, aquelas pessoas que se apaixonaram pela ideia de vampiros. E estúdios com um pouco mais de foco nisso obviamente seriam as nossas potenciais escolhas”.

Toda essa explicação contratual sobre a autonomia da White Wolf, serve para realmente encher vocês de expectativa quando ouvirem as declarações dos cabeças da nova fase do Mundo das Trevas, que dizem claramente estar abertos para reviver a série, indo contra o discurso mais ameno e descompromissado de Fred Wester da Paradox.

"Do nosso ponto de vista como um proprietário de licença, seria estúpido não usar esse nome porque o reconhecimento da marca é muito forte", diz Sjögren.

"Se o pessoal der conta", acrescentou Ericsson.

"É preciso fazer jus ao nome", concorda Sjögren. "Não estamos no negócio de licenciamento para preencher uma meta trimestral com garantias mínimas."


Portanto qualquer continuação de Bloodlines para ter o aval da White Wolf terá que se adequar ao estilo novo da quinta edição do Mundo das Trevas, precisa estar situado em um ambiente moderno e lidar com o design geral de maneira diferente de seu antecessor.

"Antes de qualquer coisa, se essa sequência chegar, provavelmente causará grande comoção. Então para começar, precisaremos lançar algo de qualidade. Isso significa que precisaremos de um bom prazo para o seu desenvolvimento. Temos que garantir que o estúdio escolhido e seus desenvolvedores tenham o tempo que precisarem para obtermos o produto final que almejamos. Outra valiosa lição aprendida, é que devemos, também, suprir a comunidade com as ferramentas de "mod" corretas." disse Sjögren. 

"Não é sempre que temos um dentista alemão para salvar o dia." Intervém Ericsson. Referindo-se a Werner Spahl, ou Wesp5, um químico da Universidade de Munique na época do lançamento de Bloodlines que devotadamente restaurou e aprimorou o jogo em seu suporte aos mods ao longo dos anos. De certa forma Spahl e seu tratamento fiel são uma demonstração da reverência que Bloodlines possui por parte dos fans. E serve perfeitamente para apontar o caminho do futuro que a WW planeja para a série. Seja ele qual for.

"Bloodlines é adorado por sua história e seus diálogos, e essas são coisas que nós valorizamos muito", diz Ericsson. “Talvez não tenha sido o melhor jogo de tiro do universo, mas o roteiro é incrível, e captura uma visão irreverente, sombria e crítica do submundo da sociedade. E esse aspecto é certamente pra onde queremos dar o nosso próximo passo.

Uma politica inteligente, fria e calculista a longo prazo, aliada ao fato de que cada rumor no segmento eletrônico da franquia se tornou realidade até então, nos leva a crer que essa entrevista propositalmente compartilhada pela a White Wolf tenha sim um mensagem a mais. Ainda que não confirmado com todas as letras, acredito que esse é um indício sim de que pode estar rolando os primeiros passos de um projeto de game para vampiro e como não quer nada, eles já querem sentir a reação dos fans da Máscara, sem causar muita comoção dos fanáticos pelo Bloodlines antes de bater o martelo com um estúdio (se é que já não bateram). Afinal, com todo esse planejamento eles não dariam margem para a falsos alardes e nos sabemos que tudo isso faz parte do mundo atual dos negócios. 

No mínimo, essa entrevista serviu para me deixar muito otimista com o futuro do WoD como um todo nas mãos dessa gestão mais profissional e competente, me fazendo crer que vão cuidar bem dessa franquia incrível que injustamente ficou esquecida pela industria de jogos. Me deixaram otimista ao ponto de imaginar que é real a possibilidade dos filhos do meu filho, - que ainda estão longe de existir rs! - um dia vão terão o prazer de conhecer e se deleitar com jogos eletrônicos, de tabuleiro e de interpretação no fantástico Mundo das Trevas.

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